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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Ashtanga Yoga

Quando o Yogue se torna qualificado através da prática da disciplina ética, por abster se de ações ilícitas (YAMA) e da autosuperação (NIYAMA), pode então começar a prática de ASANA e de outras técnicas. Yoga Bhasya Varana, II. 29

No Ashtanga Yoga, que é o caminho óctuplo apresentado por Sri Patanjali no Yoga Sutra, consta como o primeiro e o segundo passo ao estado de unificação que chamamos Yoga, as "condutas éticas e morais. As proscrições (YAMA) e observância (NIYAMA) respectivamente, são pré requisitos à escolha verdadeira do caminhante. São elas: YAMA AHINSA - não-violência. SATHYA - veracidade. ASTEYA - não se apropriar, não roubo. BRAMACHARIA - não desvirtuamento da energia sexual/vital. APARIGRAHA - desapego. NIYAMA SAUCHA - pureza. SANTOSHA - contentamento. TAPAS - auto esforço, disciplina, força de vontade. SWADHYAYA - autoestudo, estudo sobre a escrituras sagradas da humanidade. ISWARAPRANIDHANA - autoentrega, consagração, devoção, altruísmo. O terceiro passo desse caminho que independente de credo, orientação religiosa ou cultura específica, que só vem auxiliar o bem viver em harmonia é ASANA - postura, assento, assentamento. Esta é uma das etapas mais conhecidas quando se ouve falar em yoga, talvez pela beleza plástica e os benefícios psicofisícos que elas podem proporcionar ao praticante.
A próxima parte ou etapa é PRANAYAMA - conhecimento, prática de respeito e condução mais refinada da bio energia nos sistemas físico, energético, emocional em direção à sutileza espiritual.
Em seguida os estados mais aprofundados de consciência se revelam como PRATYAHARA: que se manifesta espontaneamente quando criamos condições adequadas oriundas do resgate das reais sensações. Por meio da consciência corporal e respiratórias e do conhecimento dos mecanismos de comunicação entre a mente e os órgãos dos sentidos, e da prática da observação dos mesmos, possibilitando a sua tranquilização e conversão. E quando isso é possível e o aprofundamento se estabelece, ocorre o que significa concentração.
Quando a conversão dos sentidos volta-se para o centro, para a fonte original manifesta-se DHARANA.
Quando isso ocorre, espontaneamente os estados meditativos que apontam para o objetivo do praticante se aprofundam cada vez mais, isso é DHYANA, o sétimo passo.
Então as portas para a comunhão estão se abrindo. SAMADHI é o mergulho em direção ao Estado de Yoga. Assim sendo, caracteriza-se o Ashtanga Yoga como um meio espiritual, seguro e acessível a quem estiver de coração aberto e alma livre de condicionamentos paralisantes e auto-impostos baseados no medo e em julgamentos que só fazem separar e afastar. Ou para aqueles sinceros, que atentos aos seus limites, escolhas e falhas estāo dispostos a aceitar a Graça que é viver e se responsabilizar pelo resultado de suas escolhas com coragem. É uma via de acesso à nossa mais íntima e profunda humanidade, em direção à realidade última e infinita da qual não fazemos ideia, mas somos parte.

Namaste!

Christyano Eduardo Ricetti
#Yoga #Namaste #YogaBrasil #CasaDeYogaMahaDevi #EuPratico #YogaMuitoPrazer

terça-feira, 31 de maio de 2016

Gratidão


        A você que com sua presença, confiança e amizade sincera nos dão a oportunidade de crescer e exercer o nosso sacro-ofício.
        A você que nos incentiva a escrever aquilo que em aula experimenta, lhe digo que se algo acontece é porque você lá está e porque há encontro. Que juntos e atentos sejamos sempre bons canais condutores de mais encontros onde o respeito é a base da confiança e segurança para a continuidade e que continuamos fazendo por merecer.

     
        "Aqui diante de vós e sobre a suave certeza da firmeza relativa e da generosidade da Mãe Terra. Curvo-me e ofereço-me em palavra, gesto e ação. Com tudo o que conheço e desconheço de mim, assim como com aquilo que não me lembro, procurando no exercício da humanidade me observar.
        Em gratidão, meu coração de ente humano, junto do coração de tantos homens e mulheres e de todos os seres que se desenvolvem em seu ventre. Amada mãe, abençoe e proteja tudo o que cresce e o que espera.
        Ajude-me a acolher com mais leveza o meu pessoal plantio, que se manifesta em todos os níveis do meu ser. É, de acordo com a sua vontade e meu merecimento, possa eu absorver com sabedoria o resultado, do jeito que a manifestação pode expressar em seus graus de densidade e sutileza.
        Para que eu de fato entenda que essa bênçãos da expressão divina são as tábuas da ponte que faz a ligação entre aquilo que penso ser com aquilo que sou."
                                                                                            Christyano E. Ricetti 

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Sukhasana - Postura Fácil

     Sthira-sukham asanam
conforme o Yoga Sutra,
"a estabilidade e o bem-estar são as qualidades que definem o ásana".
 
     A prática dos ásanas não é um fim em si mesmo. Em uma postura estável e confortável, nós criamos condições para desenvolver a consciência respiratória, chegando finalmente ao estado meditativo. Sukha não é apenas uma questão de bem-estar físico e conforto, mas também de inteligência e de disposição para abrir mão de ideias preconcebidas e manter-se no processo de autoconhecimento.
 

     Shiva, o senhor do Yoga, senta-se em meditação nas montanhas, mantendo o foco no terceiro olho, o ponto entre as sobrancelhas. Nesta posição ele se torna tão estável que tem domínio sobre todos os seus sentidos, representados pela serpente enrolada em seu pescoço e a pele de tigre que ele usa como assento. Em suas mãos ele segura um tridente, que representa a natureza tripla do universo, e um pequeno tambor, que evoca o ritmo do tempo. A lua crescente flutua em seus cabelos como um emblema do tempo e da mudança, contrastando com a estabilidade dessa posição simples, confortável e eterna.



     Nesta postura procure observar um bom apoio dos ísquios (ponta inferior do quadril). Caso não consiga apoie o quadril sobre uma almofada mais firme, ou até mesmo um coberto dobrado, desta forma ele fica mais elevado e os joelhos descem, então é possível sentir o conforto e a firmeza existentes no ásana. Traga o sacro a frente, e eleve o peito. Permita que todo o peso recaia sobre o quadril, no chão, e que esta força retorne ao seu corpo alinhando sua postura.
    

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Como é o Yoga na Casa de Yoga Maha Devi

   Vivemos em um tempo onde os nossos compromissos diários de trabalho nos solicitam atividades mentais aceleradas e compromissadas com o ritmo com que a tecnologia evolui. Onde, sem nos percebermos, passamos horas em posições corporais que se condicionam de acordo com as exigências de nosso ofício, aliada ao pouco espaço físico e muitas vezes ao pouco contato com a natureza. O que vem restringindo cada vez mais nossas percepções sensoriais naturais. Neste contexto, quando nos percebemos, nossa visão, audição, olfato e paladar estão mais artificiais do que deveriam e a nossa saúde tende a seguir padrões nãos adequados para uma vida saudável. E quando chega o momento de percebermos o nível de comprometimento e condicionamento físico e mental, ficamos sem saber o que fazer.

   Na Casa de Yoga Maha Devi, baseado nas técnicas clássicas de Hatha Yoga e outras linhas, oferecemos um conjunto de atividades psicobiofísicas e mentais, inteligentemente adaptadas às necessidades das pessoas do nosso tempo, que merecem um estímulo corporal e mental que venha promover além de um bem estar físico, mas a consciência geral para a apropriação de sua responsabilidade de viver plena e saudável a sua experiência humana pessoal, resgatando o equilíbrio físico e mental. Não se trata de uma terapia, porque as técnicas de yoga não foram desenvolvidas para isso, mas podem ser direcionadas adequadamente para um propósito reeducativo sim. Onde todas as pessoas são aptas a praticar. Já que costumamos alertar que não se pratica yoga, pratica-se a si mesmo, com respeito e responsabilidade, mas, sobretudo, compromisso consigo mesmo e em direção do encontro com suas necessidades, potencialidades e limitações para acessar sua real condição, e, a partir disso, segue no caminho do que temos chamado de descondicionamento físico e conhecimento mental. Para isso, o corpo é a ferramenta mais adequada, é a partir dele que expressamos o nosso estado interno, é o nosso veículo de comunicação e é por meio dele que desfrutamos todas as sensações.
   É fato que muitas das posturas clássicas de Hatha Yoga e outras tantas que pouco tem a ver com o Hatha Yoga, e mais se assemelham às técnicas de contorcionismos e que ilustra as revistas e as chamadas publicitárias se apresentam inviáveis à maioria das pessoas. Por isso é que escolhemos uma metodologia que reúne e não a que separa e divide os grupos em níveis. Trabalhamos com posturas estáticas e movimentos que promovam benefícios energéticos, fisiológicos, biomecânicos de relaxamento e meditação que acesse o aluno na sua individualidade respeitando o seu desenvolvimento natural, amadurecendo a sua prática, propriocepção e capacidade de auto entrega. O resultado é basicamente científico, você faz a experiência e observa o resultado imediatamente. Só não prometemos nada, apenas convidamos à prática!
                                                                                       Christyano E. Ricetti

O Verdadeiro Papel do Professor de Yoga

   Antes de qualquer coisa o instrutor de técnicas de yoga deve conhece-las, e experimenta-las. Depois deve saber quem é a pessoa que ele irá orientar. Saber das suas limitações pessoais em relação a esse conhecimento e se aproximar do aluno de maneira bastante interessada e respeitosa. Sabendo do alcance energético, fisiológico e mecânico das técnicas que irá utilizar, deverá adequa-las às necessidades e possibilidades dos alunos. O instrutor de yoga não quer atingir objetivos nem resultados, ele quer ver o seu orientando progredir rumo a conscientização de si mesmo em níveis que incluem o corpo. Para o instrutor de yoga a expressão máxima que se conseguiu construir e dar forma não é somente um organismo, mas o lar, o templo de culto à vida, onde é iniciado o neófito que ali reside. Ele sabe que naquele corpo está registrada uma verdadeira odisseia que se constituiu em nada mais , nada menos que a história, todas as sensações, emoções e vivências daquela pessoa. Por isso, este instrutor jamais irá incentivar o seu aluno a ultrapassar os seus limites, antes de convida-lo a interessar-se para conscientização de ter limites conhecidos e desconhecidos. O instrutor respeitoso não apressa, ele sabe que o que foi construído por anos não deve ser destruído em dias, mas se a vontade do aluno assim o quiser, com honestidade, ele deve convida-lo a conhecer a origem dessa vontade. Em seguida, se assim tiver que ser, iniciar uma desconstrução respeitosa e consciente onde a ação e o coração estejam em atitudes afins, mostrando desta forma o verdadeiro significado e importância da coragem.
   O instrutor não se interessa em ser visto, não se importa com o que enxerga, mas com o que está oculto, muitas vezes do próprio aluno. Por isso ele vê o que o corpo mostra sem se distrair. Ele sabe que as técnicas yogues têm alcance muito além do corpo físico, mas que se inicia nele, exigem dele e o transformam. Ele sabe que quando não bem utilizadas, não respeitando as suas compensações articulares, podem trazer prejuízo para estas áreas do corpo. Mas sobretudo ele sabe que deve equilibrar as técnicas em nível fisiológico e energético para que não interfira no funcionamento adequado dos órgãos internos, sistema nervoso e glandular.
   O instrutor de técnicas de yoga conhece e procura praticar em si e principalmente em sua profissional os conceitos éticos  e morais que constituem o primeiro e o segundo passo do yoga, sugerido e orientado por Sri Patanjali no yoga sutra. E que, embora, esteja utilizando as técnicas de hatha yoga deverá honra-las seguindo as orientações de Swatmarana, inclusive a principal, que deixa bem claro que o caminho do hatha yoga deve levar na direção do raja yoga.
   Ele certamente levará em consideração as orientações do Bhagavad Gita, ao menos aquela que o Divino mestre nos orienta, que a ação ainda é melhor que a inação, e já sabe que a reação é mais comum, e que para a ação acontecer é necessário a presença de espírito.
   Ele vai incentivar o seu aluno a vivenciar a sua capacidade. Vai mostrar que ele mesmo pouco fez, no que diz respeito ao progresso do aluno e que o resultado é da prática adequada ao mesmo.
   Ele sabe, e deve zelar para que a integridade do aluno se mantenha. Ele é responsável pelo que ensina, por isso deve ensinar direito. Esse, talvez seja um dos principais papéis do instrutor.
                                                                          
Um agradecimento especial aos professores que fizeram parte da minha história, aqui representados por alguns, e que dia após dia de convivência durante a formação, me ensinaram o que é ser professor.
                                                                                          Christyano E. Ricetti
 

sábado, 5 de setembro de 2015

Yoga e a Adolescência


     A adolescência, que naturalmente já é um momento atribulado da vida, devido às mudanças hormonais que afetam física, psicológica e emocionalmente, é agravada pelo momento social que o adolescente se encontra, onde, ainda muito jovem, e agora sem consciência de quem é, é cobrado a ser o melhor estudante, comprometido muitas vezes com inúmeras aulas extras, ou com um tempo ocioso, e nem um nem o outro dando sentido à vida. Muitas vezes se espera que já tome uma decisão sobre a profissão que irá exercer pelo resto da vida, e é esquecido que antes de formar um cidadão, deve-se cultivar com respeito o ser humano ali existente. Neste momento o papel do grupo é de extrema importância, pois é ali que encontra as características que acredita ter, ao mesmo tempo em que necessita se distanciar dos pais para também ter um vislumbre de quem é. É quando o interesse e as descobertas com o sexo oposto começam a surgir, muitas vezes associado a um turbilhão de informações via televisão e internet, que torna esta uma necessidade mais mental, competitiva, que propriamente emocional e física.
     O yoga neste momento da vida pode ter um papel primoroso, dando ao adolescente a capacidade de desenvolver uma relação de amor e respeito que irá guia-lo pelo resto da vida: a relação de amor próprio! É através das postura psicofísicas, das respirações e meditações que esta ligação se fortalecerá de forma descontraída, desafiadora e ao mesmo tempo acolhedora. A partir daí, todos os demais vínculos começam a tomar a devida proporção, sempre pautados em respeito a si próprio e ao outro, o mundo deixa de ser o lugar hostil e tedioso e torna-se o lar em que o adolescente é agente transformador e a família passa a ser a base e a mola propulsora para um salto em segurança no mundo!
                                                                                Gisele T. Ricetti


 

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Uma mulher pode ser mestre?

     Por vezes há um questionamento sobre os mestres e a possibilidade de uma mulher tornar-se uma mestra. Porém na maioria dos casos, em um mundo onde o machismo é predominante isto nem se torna uma questão... Muitas vezes, o exemplo de mulher que as meninas gostariam de ser são aquelas que são escravas desta sociedade, e portanto assumem o papel da mulher objeto, um pedaço de carne, como ninguém, são admiradas por exporem seus corpos e não seus pontos de vista. Quando procuramos nos informar, encontramos mulheres que permitiram que sua essência fluísse e que acolhem o mundo dentro de uma energia puramente feminina! Um grande exemplo atual é Amma, que além de ajudar milhares de necessitados na Índia, ainda viaja pelo mundo abençoando as pessoas com seu abraço, um a um, as multidões que se formam em cada lugar que chega!


"O verdadeiro amor só surge quando você se livra de todos os apegos. Então a batalha da vida transforma-se num lindo jogo. Torna-se serviço desinteressado, ampliado para toda a raça humana, sem distinção. Nesta batalha não é o ego que está lutando, e sim o maor que está consumindo o ego e transformando você no próprio amor."
                                                                                                               Ammachi

 

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Em tempos de Crise, Invista em Você, Faça Yoga

     Crise é uma palavra de origem grega que significa ruptura. O conceito de crise é utilizado em muitas áreas do conhecimento como na economia, na psicoterapia, na sociologia entre outras. Está sempre associada a uma mudança que pode gerar alterações físicas ou simbólicas importantes no desenvolvimento de qualquer evento. Esta mudança causa sempre uma ameaça a um padrão estruturado onde deve comprometer a continuidade de um processo social, histórico, espiritual ou íntimo. Portanto, um momento difícil. O medo do resultado da evolução de uma doença, a perda do controle emocional depois de uma notícia grave, a manifestação repentina de um sentimento agradável ou desagradável, resultando em stress e alteração nervosa são exemplos de crises pessoais que qualquer indivíduo pode vir a experimentar, ou já experimentou. A fase de transição entre um momento bastante próspero e outro de depressão é exemplo de crise, que pode ocorrer no âmbito pessoal, social, institucional, político, estatal e até mesmo global. O desequilíbrio entre produção e consumo, a carência, a escassez, disputas, conflitos de toda ordem que geram incertezas, são situações de crises.


     No entanto, tenho a impressão que mais que um conceito para ser pensado e entendido, a crise pode, por outro lado, nos chamar para as sensações presentes, provenientes das reações vividas no momento, para impressões novas e possibilidades. E uma vez que entendemos como oportunidades de sentir e agir de forma criteriosa, com discernimento e maturidade crítica aliados à criatividade, a própria crise pode se tornar um importante impulso orientador para mudanças de paradigmas. Promovendo uma reflexão mais coerente e real da situação que se apresenta no processo.
     Sob o ponto de vista de auto conhecimento, podemos resgatar alguns casos bem conhecidos onde o ser em seu momento mais crítico pode ter acesso à sua humanidade mais elementar. Como Adão e Eva que perderam o paraíso, Abraão que no momento do sacrifício de seu filho ouviu a consciência, Moisés que após a fuga do Egito preparou-se para a libertação, Arjuna que entre as fileiras dos dois exércitos no campo de Kurukshetra vacilou e caiu de joelhos aos pés do mestre, o príncipe Sidharta acometido por uma inquietação o levou à realidade da vida e despertou a busca pela iluminação, Jesus que em seu deserto se encontrou com as tentações, as enfrentou e se preparou para a união com Deus. A história conhecida da humanidade está repleta de contos, lendas e fatos de conflitos dando direção ao curso de sua existência que causaram mudanças importantes, triste e felizes, inteligentes e medíocres, gloriosas e dolorosas, de acordo com o ponto de vista.
     Quando nos encontramos em situações muito confortáveis, onde tudo é precisamente planejado, com seus resultados previstos, e o panorama monótono, porém organizado, onde o ritmo e o tempo psicológico estão de acordo com as nossas crenças e valores culturais, temos a impressão de vivermos novamente no paraíso, outrora perdido. A vida assim parece-nos a expressão fidedigna de nossos sonhos. Porém, no sonho, nosso sono é leve e o despertar virá em seguida.
     Se para todo ônus há um bônus e para todo bônus um ônus, aprendi com um aluno administrador que podemos nos preparar para o reverso. Mas isso não cessa? Dizem-nos os mestres: Tome uma xícara de chá! Estão nos dizendo que existe um meio termo, um momento neutro no agora.
     E o conflito se baseia em nossos conhecimentos e metas, resultados e possibilidades, e se isso tudo é fruto do passado e do futuro, sri Patanjali nos indica em seu Yoga Sutra no primeiro verso do primeiro capítulo: " Agora a disciplina do Yoga." e em seguida ele diz: " Yoga é a cessação dos turbilhões da mente." Portanto, em tempos de crise invista em você: Faça Yoga!
                                                                                Christyano E. Ricetti
   

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Nascer, rezar, respirar

     Nascer, rezar, respirar...
     Qual a grande diferença, qual a similaridade?
     Temos dado tempo suficiente para isto tudo?
     Respeitamos a unicidade do respirar (como se cada respiração fosse a única), e do rezar (como se cada prece fosse sempre nova, cheia de frescor)?
     Respeitamos a naturalidade do nascer? E do rezar?
     Respeitamos a sacralidade do nascer? E do respirar?
     Em tempos onde o natural, o único e o sagrado muitas vezes fica submetido ao tempo, ao dinheiro, e a "self", não podemos nos esquecer da atemporalidade do amor, do valor (e não do preço) de momentos únicos e do movimento da Vida, que máquina nenhuma pode registrar!
     Façamos então de cada respiração uma prece, de cada prece única e de cada nascer a expressão natural da Vida!
                                                                                                Gisele T. Ricetti


     "Que longo caminho percorremos!
     Saímos das águas e tomamos pé. Nós nos levantamos...
     Deixamos a posição rastejante da vida que se aventurava fora dos mares, fora de um longo passado oceânico.
     Nós nos levantamos.
     A Terra nos carrega.
     A Terra nos sustenta.
     Mas é do céu, da luz que vem a vida.
     Erguendo-nos, achamos a direção, sentido.
     Dirigimo-nos para nossa verdadeira fonte que está no alto.
     E sobe ao céu cada manhã.
     Para percorrer este caminho que leva do mineral ao homem, quanto tempo foi preciso!
     Milhares, não, milhões de anos.
     Esse caminho, reduzido no tempo, a criança, num relâmpago, faz novamente ao nascer.
     Não é o caso de esperar alguns instantes por aquilo em que a vida perdeu tanto tempo?
     Fazemos nossas preces correndo?
     E o que é a prece senão o inverso do caminho que a criança percorre ao nascer?
     Em qualquer religião, o fiel se curva.
     Interiormente, apenas em intenção.
     Ou se ajoelha, curva a cabeça, se inclina e toca o solo com a fronte, com os braços dobrados sobre o peito.
     Baixa-se.
     Demonstra obediência. Humilha-se.
     Beija a Terra.
     Submete-se a ela.
     Fazendo isso, fechando o corpo e o peito, esvazia-se,
expira...
e retoma, privado de fôlego, a postura e o estado da criança antes do nascimento.
     Então, tendo mostrado completa obediência, tendo tocado com a fronte Aquela que o carrega, que o nutre, a quem um dia retornará, está pronto para renascer.
     Corrige sua posição,
estende-se.
     Suas costas se abrem, se expandem.
     O ar o enche.
     E, com os olhos para o céu, envolvido pela luz, carregado pela inspiração, treme, sentindo a força que o invade.
     Sim, isto é a prece.
     Aí está o curto, o longo caminho que vai do fundo das águas, atravessa a Terra, os ares, para subir às alturas.
     É o duro caminho que a Vida percorreu e que todo ser refaz ao nascer.
     Fazemos nossas preces correndo?
     E para nascer, não é preciso mais que um instante?"
Frédérick Leboyer

domingo, 24 de maio de 2015

Respirar ou não respirar? Eis a questão!

  Um dia alguém me perguntou:
  - O  yoga que você faz é com respiração?
  E por um instante mais consciente respirei fundo buscando uma possível resposta e foi na exalação que ela me veio.
  - Sim, é com respiração! Porque respirar é fundamental para a manutenção da vida! E o seu ritmo e qualidade influenciam todo o organismo, mente e emoções. Por isso numa prática de yoga é essencial inspirar no momento certo da postura, apropriando-se do si-mesmo e expirar no momento adequado entregando-se ao Absoluto!
 
     "Dos mamíferos, o homem é o único que, por causas patológicas ou deploráveis maus hábitos, as vezes respira pela boca. Respiração errada. O nariz não foi feito para compor um elegante perfil. Deus o pôs no meio de nossa face para com ele realizarmos sadiamente esta coisa importantíssima que é respirar.
     Os inconvenientes da respiração bucal são de dupla natureza: físicos e prânicos.
     Os de ordem física começam com a insuficiente alimentação de ar nos pulmões. Os que respiram pela boca são permanentemente martirizados por uma asfixia parcial, além de serem mais sujeitos às infecções por germes do ar. O nariz é um filtro contra poeiras. Graças à ação bactericida de seu muco, livra-nos de insidiosos invasores. É também um radiador natural que aquece o ar frio do inverno, antes de chegar aos pulmões."
                                                                                                                Hermógenes